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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Intermitências


Careço de intervalos de mim.
Que numa vez eu possa ser
E, noutra, ser-te.

Quero nascer de teus infinitos
E reinventar-me em tua ausência.

Que a tua mão seja um sonho em sol
E acaricie de eterno 
A ternura que em meu peito adormece.

Que a tua voz me arraste como um rio 
Para que eu desague em ti.

E que os teus silêncios sejam ecos
Das dores que nunca confesso.

                                                                         Nara Rúbia Ribeiro


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Calma

Se quiser namorar-me,

Tenha calma.
Traga na alma a lembrança de que sou sonho
E de que não posso ser tocada do nada
Ou beijada como se mortal eu fosse.

Faça de mim algo doce,
Enfeitado de estrelas,
Enfeitiçado de ausências
E para sempre presente nos intervalos de sua respiração.

Ouça o coração
Mas o faça pulsar baixinho
Para não ofuscar o brilho do meu silêncio.
Saiba que o meu coração é cristal de crepúsculo
Poeira de astros longínquos e puros;
Não é barro que se possa moldar,
Por mais perfeito que seja o artífice.

Se quiser namorar-me,
Que seja sem pressa e sem dores,
Já verti sangue e suor
E vi desfalecerem mil flores.
Quero apenas o beijo insano,
A proposta instantânea e a mais errônea vontade
De ser sempre sua,
Mas não hoje,
De ser sempre sua mais tarde.

                                            Nara Rúbia 




domingo, 26 de janeiro de 2014

Visita

... É que o silêncio, desusado, 
Visita-nos vestido de saudade
Quando a palavra, já cansada,
Não alcança o coração.

                                  Nara Rúbia



terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Beijo de Deus



...Foi, então, que eu sorri e disse:

Inferno, meu amigo, eu já conheço bem, mas a minha alma não mora mais lá. Meu Deus é um colibri que visita e revista cada milímetro quadrado do mundo. Ele é quem verseja o Universo. Quando ele beijou minha alma, eu descobri que nenhum inferno é real, nenhuma sombra é concreta, nenhuma dor é permanente. Eu tenho uma alma beijada por Deus.


                                                                                                        Nara Rúbia





domingo, 29 de setembro de 2013

A viagem


... Mas ele despiu-se de mim

Vestiu-me de ausência

E foi visitar outros mundos
Onde a minha verdade
                                           É sem voz.          (Nara Rúbia)