quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Soneto de Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pratique o Desapego


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
                                                                                                                                 Fernando Pessoa

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sensações

Eu me perdi, perdi você
Perdi a voz , o seu querer
Agora sou somente um
Longe de nós um ser comum
Agora sou um vento só, a escuridão.
Eu virei pó, fotografia,
Sou lembrança do passado
Agora sou a prova viva
De que nada nessa vida
É pra sempre até que prove o contrário...

                                                                                                             Paula Fernandes

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Rifa-se um coração


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.

 
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconsequente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas...
...Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo...

... Rifa-se um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções...

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconsequente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

 
Nota: este texto é algumas vezes atribuido erroneamente a Clarice Lispector, segundo Ricardo Labatt. Ah, também exclui alguns versos...


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sonhando acordada


De repente me vejo sonhando acordada
O vento invadindo meus pensamentos e por um momento paro de pensar
Nos seus olhos, no seu sorriso, em você ...

Ah este mar que me hipnotiza e me carrega para longe
Das amarras, do medo, do desejo reprimido.
Me dispo das minhas verdades, das minhas inseguranças
E deixo-me levar no suave balanço da minha alegria...

E vou em busca da liberdade de voar
Para onde o sonho me espera...

                                                                                                              Sílvia Freitas

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Em silêncio


E porque éramos tão diferentes
O verbo amar passou a ficar no intransitivo
Então eu passava ao seu lado em silêncio
E sentia que você também passava quieto perto de mim
Havia uma cumplicidade imensa que nos permitia sonhar...

                                                 Sílvia Freitas


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Esse amor...



Que emoção é esta que se faz infinita,
que me arrasta e me afoga nessas lembranças...

Que sonho é este que teima em se repetir nas minhas noites,
que queima o meu corpo e me faz voar...

Que sensação de vazio é esta que me sufoca,
que nada preenche, que nada substitui...

Que amor é este que invade meus pensamentos,
que não me deixa ficar em paz...

                                                                              Sílvia Freitas

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A janela

A janela está aberta
Vejo paisagens que ainda não me dizem nada,
que me deixam mais confusa...

Ah! No entanto são tão múltiplas, tão codificadas, tão indecifráveis
tão distantes dos sentidos, do sentir...
Mas sei que ela está sedutoramente aberta a espera
e quando percebo lá estão elas as imagens antes sonhadas
antes embaladas em um breve sonhar...


Então, onde estão as andorinhas
as gaivotas...
onde o céu...
onde meu Sol...?
   Sílvia Freitas

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Meu Coração


Quando chegas, chegas trazendo música no teu nome
As tuas certezas me confundem com minhas possibilidades
Não sei se tu és ou em mim ressoas como um canto perdido

Meu coração pulsa ao ouvir teus passos e sei que vens
Com um punhado de sementes
Meu chão é germinal e tenho guardado girassóis
Incansavelmente busco o sol...

Tenho em mim algumas definições
Marcas que estão impregnadas na minha alma
De um vir-a-ser-sempre
Sou feita de urgências
"Ser feliz me consome muito."

Silvia Freitas

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Na contramão


"... E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contramão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada
E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais..."

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Você não sabe...

                                                                               
"Você não sabe quanta coisa eu faria
Além do que já fiz
Você não sabe até onde eu chegaria
Pra te fazer feliz
Eu chegaria
Onde só chegam os pensamentos
Encontraria uma palavra que não existe
Pra te dizer nesse meu verso quase triste
Como é grande o meu amor
Você não sabe que os anseios do seu coração
São muito mais pra mim
Do que as razões que eu tenha
Pra dizer que não
E eu sempre digo sim
E ainda que a realidade me limite
A fantasia dos meus sonhos me permite
Que eu faça mais do que as loucuras
Que já fiz pra te fazer feliz
Você só sabe
Que eu te amo tanto
Mas na verdade
Meu amor, não sabe o quanto
E se soubesse iria compreender
Razões que só quem ama assim pode entender
Você não sabe quanta coisa eu faria
Por um sorriso seu
Você não sabe
Até onde chegaria
Amor igual ao meu
Mas se preciso for
Eu faço muito mais
Mesmo que eu sofra
Ainda assim eu sou capaz
De muito mais
Do que as loucuras que já fiz
Pra te fazer feliz..."

                                             

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Alguns dias...

                                                                         
"Há dias cheios de vento,
há dias cheios de raiva ...
há dias cheios de lágrimas.
Mas depois ...
Existem dias cheios de amor...
que nos dão a coragem de ir em frente."

domingo, 18 de setembro de 2011

O espelho

...E quando só restar a palavra não pronunciada
o sonho não sonhado
ainda assim haverá uma janela
como limite do (im)possível
como uma possibilidade de um vir-a-ser
E então um pouco mais aliviada
fecharei os meus olhos e me encontrarei no espelho
e saberei que em mim sempre você esteve.

                                                                                         Sílvia Freitas

                                       

domingo, 11 de setembro de 2011

O Tempo


                                                                       
                                                
E sem ter tempo para pensar e nem sonhar
Procurei caminhar sem parar...
Porque agora o tempo para mim é infinito...
Perdida no tempo
Em um tempo perdido
                                                                                                               Sílvia Freitas


                                                                   

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Antes do Fim...


Vens...
Teus passos incendeiam minha alma...
Um sol atravessa cada silêncio derramando certezas desiguais...
Uma dança habita em nós...
O instante está sendo construído de eternidade e adeuses...
Às vezes, desconheço a linguagem em que te despes...
Apenas devoro cada instante singular em que me tocas...
Escuta: meu tempo faz-se também de medos e sonhos...
Só peço que me encontres quando as palavras romperem o gesto obscuro do adeus.
 E assim, poderei te dizer do meu amor...
Não quero imaginar que seja tarde, mesmo sabendo que as palavras saem mudas da tua boca.
Só quero ainda olhar teu rosto, beijar-te, sentir tua pele na minha... E deitar meu corpo ao teu lado...
 Segurando tua mão como um último gesto de despedida...


domingo, 28 de agosto de 2011

Água para quem tem sede


"O que escrevo não é o que tenho...é o que me falta.
A poesia é apenas uma expressão do não-ser do poeta.
Escrevo porque tenho sede... E a poesia é agua."

                                                                                                        Rubem Alves

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Amanhecer

A noite vai respirando tudo o que restou de um dia
Naufragado... de paz.

O ponteiro vai mostrando que há um tempo para sonhar
E sem muitas esperanças aguardo o momento de fechar os olhos
e quem sabe voar para o infinito azul...
Vejo que nuvens dançam e correm para encontrar, talvez o sol que teima em surgir todas as manhãs...

Sinto um cheiro de jasmim invadindo minha alma e gotas de orvalho molham meu rosto.
Ao longe posso imaginar pássaros anunciando a sua chegada... E você vem devagar, rompendo a escuridão e um clarão surpreende meus pensamentos com seus raios delicados e tímidos...

E a magia da noite é escancarada por um novo despertar.

                                                                                                                           Sílvia Freitas

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O silêncio das palavras



"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."
                                                                                                                                          Lya Luft

sábado, 13 de agosto de 2011

Meu Jardim

                         

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores                    
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores                             
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores     
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha ca sa, minha cama, meu quartinho                               
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho     
                           Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim

                                                                                                                                                                             Composição: Vander Lee

A menina das borboletas

Os Girassóis

                                                  
Sinto surgir em meu rosto um novo poema...
                           ele traz um brilho refletido no meu olhar
                            que já não é mais meu
                           ele é seu
revestido de girassóis

 Os seus olhos me dizem coisas que ainda não sei decifrar,
mas já me fazem sonhar...

Ah de novo poder sentir o vento na minha alma
as andorinhas fazendo ninho  nos meus cabelos e o sol...
                         Ah, o sol
                         aquecendo suavemente o meu corpo 
                         como um abraço... e nos braços poder descansar...

 E se esse poema falar de amor não tente silenciar
                      as palavras que querem te encontrar... 

                                                                                                 Sílvia Freitas
Pintura em aquarela por João Barcelos

domingo, 7 de agosto de 2011


"Talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor
 só para nunca deixar de ser amor..." Tati Bernardi

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Essa tristeza sem fim...



Sinto um não saber dentro de mim.
Não saber o que fazer com os dias que parecem intermináveis...
Não saber o que fazer com o pensamento que cisma em pensar em você...
 Não saber parar essas lágrimas que teimosamente, pingam no papel que já amassei tantas vezes...
 Não saber o que fazer com a dor deste silêncio que nada preenche...
                              
                                                                                               Sílvia Freitas

Todo Sentimento

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

                                                                                        Chico Buarque

domingo, 31 de julho de 2011

As palavras

Quando assim


Quando eu era espera,
Nada era, nem chovia, nem fazia;
Só senti que a calma, não acalma
Quando só há solidão.
Quando eu era estrela
Era inteira na mentira que eu dizia
Ser o que não era,
Convencia, dentro da minha ilusão

Quando eu fui nada,
Faltou nada, tudo pronto pra escrever

Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.

Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.


                                                                                                           Núria Mallena

sábado, 30 de julho de 2011

Amigo Aprendiz

“Quero ser seu amigo
Nem demais, nem de menos...
Nem tão longe, nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade,
Sem jamais te sufocar, sem forçar tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E, sem calar quando for a hora de falar...
Nem ausente, nem presente por demais....
Simplesmente, calmamente, ser-te paz!!
É bom ser amigo, mas confesso:
É tão difícil aprender!
Por isso eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto, de alegrias e de lembranças...
Dê-me tempo,
De acertar nossas distâncias ... "

                                                 Padre Zezinho                                 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"Quero deixar que a vida me arraste. Tornar-me leve o bastante para ir no vento ou fluir como o rio. Vou então aos poucos me ensinando a viver em perspectivas de infinito, sem estar me debatendo nos limites das situações. Por isto, ando a procurar em mim, maiores espaços para olhar, para ver a beleza sem reservas, que pode estar além dos meus olhos."


terça-feira, 26 de julho de 2011

Espelhos da Alma


O que me amedronta é essa minha insistência em me enfrentar.
                                                                                                        
                                                                                                             Martha Medeiros

sábado, 23 de julho de 2011

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

Pablo Neruda

domingo, 3 de julho de 2011

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel...

Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!

 
                                                                                               Mário Quintana

sábado, 7 de maio de 2011

A Gaiola



E era a gaiola e era a vida era a gaiola
e era o muro a cerca e o preconceito
e era o filho a família e a aliança
e era a grade a fila e era o conceito
e era o relógio o horário o apontamento
e era o estatuto a lei e o mandamento
e tabuleta dizendo é proibido. E era a vida era o mundo e era a gaiola
e era a casa o nome a vestimenta
e era o imposto o aluguel a ferramenta
e era o orgulho e o coração fechado
e o sentimento trancado a cadeado.

E era o amor e o desamor e o medo de magoar
e eram os laços e o sinal de não passar.
E era a vida era a vida o mundo e a gaiola
e era a vida e a vida era a gaiola.


Maria do Carmo Barreto Campello. Querida Carminha, A Gaiola nunca esteve (confesso) entre as minhas poesias preferidas, mas sei que é ela que resume o que você queria nos dizer...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ausência



Enfim te encontrei
Você caminhava nos meus sonhos
Amanhecia nos meus pensamentos
Você surgia assim
Do nada
Sem hora marcada
Nem momento certo
Simplesmente invadia meus pensamentos

Talvez já habitasse na sombra dos meus passos
Ou talvez já existisse nesse meu querer estar

Ah... E eu nem sei de onde vem esse querer !

Eu só sei apenas que está impregnado na minha pele
Nos meus sonhos
Na minha vida
Queria olhar nos teus olhos
E quem sabe então
Sentir o perfume da tua pele, o Sabor da tua boca
E fazer com que todos esses momentos fossem  eternizados nas minhas lembranças...
                   
                                                           Sílvia Freitas

sábado, 2 de abril de 2011

HISTÓRIAS QUE VEM DO CORAÇÃO

                                                                   
Por alguma razão sou movida a lhes falar coisas que vem do meu coração... São histórias de vida, banhadas pelo doce perfume das manhãs ensolaradas... De antigas canções que embalavam os meus pensamentos e faziam-me pensar em vocês...
Histórias que vinham de terras cobertas de neves, de sol quente e de outras tantas terras desbravadas... De chão fértil, de pessoas humildes e de bom coração...
Madre Francisca Lechner, seu nome é mulher... De coragem, de generosidade, de um profundo sentimento de solidariedade. Percebendo que sua vida só teria sentido se estivesse comprometida com o Evangelho, fundou em 21 de novembro de 1868, em Viena, na Áustria, uma Congregação Religiosa feminina com o nome de “Filhas do Amor Divino”.
Amor vivido e levado para o mundo, quem vem ensinando que “ o coração da educação, é a educação do coração.”
Com a história do Colégio Nossa Senhora das Neves, não foi diferente. Novamente, mulheres desafiam o seu tempo. As Irmãs Alberta Garimbertti e Imaculada Widder em 1932, iniciam um novo capítulo dessa história que já tem 79 anos. História escrita por mãos que tinham como destino  “tornar feliz, alegrar e conduzir ao céu.”
Uma história escrita, contada e recontada para você e, hoje, de um jeito todo especial escrita por você. Palavras que ficarão marcadas em nossos corações. Neves, a vida da gente passa por aqui.
Fecho os olhos e descortino as imagens que aparecem nos meus sonhos e que fazem parte da minha vida, aqui no Neves...
Ah... Neves os seus corredores tão imponentes, tão misteriosos... Mas quando enfeitados pelas cores azul e rosa transformam-se em verdadeiros estandartes. A emoção de ver os pilares coloridos enchem-me de alegria... E que prazer recostar-me na varanda e deslizar meu olhar pelo lindo jardim e ver cair do céu uma chuva de pétalas vermelhas, e depois como numa prece descansar no semblante sereno da Nossa Senhora das Graças, das Neves, de Aparecida, das Vitórias de todas as Nossas Senhoras que marcaram vidas.
Ah, Neves... Como não sentir o cheiro do jasmim ao passar pelos seus canteiros. Como esquecer do portão que ganhou vida... E que poderia tratar-se de um portão qualquer, mas aquele em especial “pertencia” ao Seu Rafael e ele soube, como ninguém, semear ternura num simples gesto mecânico...
Mas o tempo é implacável, ele não para. Muitas vezes, é na expressão das nossas faces que ele vai mostrando que é chegada a hora de desacelerar... Quantas irmãs, funcionários e funcionárias que passaram por aqui e deixaram suas marcas, suas histórias, seus amigos, seus sonhos e muitas, a sua própria vida.
Mas, falar do Neves é falar de vida viva! Vida que emociona, que alegra, que brilha, que vence. Que forma gerações. Que proporciona o entrelaçamento de pais, filhos, avós num encontro de gerações que parece uma volta ao tempo envolto em doces lembranças... Sonhos que o tempo deixou adormecido... E voltar ao Neves é ver desabrochar um mundo de histórias vividas e acariciadas pelo mistério do reencontro de um  jeito especial de ser Neves.
Os eternos mestres engraçados, os estressados, os sonhadores, os idealistas, os cantores...As professoras... Eternas mãezonas, psicólogas, enfermeiras, estudiosas, batalhadoras, poetisas, escritoras, artistas, tão lindas, tão únicas. Para eles, nossos educadores, vestir a camisa é mostrar o orgulho de ser um educador Neves. Aos mestres queridos que partiram deixando saudades. A vocês, os nossos eternos agradecimentos.
Falar do Colégio Nossa Senhora das Neves, ou carinhosamente do Neves, é acreditar que sonhos podem ser realizados. Que o poder de querer é acontecer! Com certeza, para nós que fazemos e construímos a história desse Colégio é o que faz a diferença no nosso fazer pedagógico. É o que faz bater mais forte o nosso coração.

                                                                                                                    Sílvia.
Texto da Agenda 2011, CNSN.