quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pus o meu sonho no navio...

e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

                                                       Cecília Meireles




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Eu queria tanto...

Eu queria tanto
pensei em cada detalhe
podia até ver o sorriso desenhado no seu rosto
e seu olhar acendendo de vez o meu coração


Mas não consegui...
Me aninhei no meu travesseiro
respirei fundo até que pudesse
acabar com toda aquela dor.

                                                                   Sílvia Freitas




domingo, 11 de agosto de 2013

A palavra


Você sabe quem eu
conhece os  meus segredos
o seu olhar me despe
a cada linha lida
E no entanto, você não me decifra...

Os meus sonhos estão adormecidos em todas as reticências...
A palavra é a única forma que encontrei
de me libertar de mim mesma
e para não perder o encanto
transformo minha solidão em poesia.

                                                                            Sílvia Freitas

sábado, 10 de agosto de 2013

Meu tempo


Contemplar o silêncio
Aquietar o coração
Descobrir-se
Distrair-se com os pensamentos
Rir das ideias que se tem
Fazer planos para o agora
Deixar a brisa invadir todo o corpo
Deleitar-se no vazio
Esperar o fim
Até que toda a escuridão cubra 
qualquer possibilidade de esperança...

                                                                          Sílvia Freitas





quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Só mais uma vez...


Bom mesmo é não esperar
A ansiedade de um tempo que está por vir
é absurdamente enfadonha
Nada acontece
apenas  ponteiros apontados para o infinito
e você empurrando-os com sua vontade de chegar logo 
o instante...
Deixar acontecer...
Seguir sem rumo
se entregar...
Ah, a surpresa excitante do não saber
a delícia de imaginar
Enfim,  nada no amor é pequeno 
tudo se manifesta e se projeta para um sonho
Ai que inveja daquele que consegue ser feliz sem esperar nada...

                                                                                                  Sílvia Freitas







sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Este seu olhar


...E quando não existir mais nenhum motivo para ficar
ainda assim será difícil partir
porque a lembrança do seu olhar sempre vai me fazer feliz...

                                                                                                     Sílvia Freitas



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Portas fechadas

Eu preciso urgente me acostumar com este seu sorriso
Já está virando mania de querer ver você por perto...
Vou mudar o meu caminho
 Meu coração tem mania de se apaixonar...

                                                                                             Sílvia Freitas