quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Um pedido



Sinto quando deveria entender...
Mas tenho medo de começar a entender e deixar de sentir o que sinto por você
Então sonho e todos os dias
 me surpreendo com seu sorriso, com seu olhar que me acaricia
e me enche de esperanças...
Fecho os olhos e só peço que me rapte
me leve para as estrelas e me faça feliz!

                                                       Sílvia Freitas

domingo, 4 de novembro de 2012

Canção da plenitude











Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
abrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.


                                                                                                                                  Lya Luft



terça-feira, 16 de outubro de 2012

O vazio


Escolher o vazio
Por alguma razão deixaremos de existir
Cada um irá acender a luz do que ficou perdido
De tudo que ficou esquecido
Mas o que restou ficará tatuado em mim
Em alguma parte de mim... Será lembrado.

"...Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar." Clarice Lispector.

                                                                                      Sílvia Freitas



sábado, 6 de outubro de 2012

Fim da brincadeira



Não era para ser assim...

Tudo parecia ser uma grande brincadeira
Os sorrisos escondidos, os olhares roubados
As coincidências que nos confundiam com o destino
Provocando alguns desatinos

Mas de repente algo começou a mudar

Comecei a evitar as brincadeiras
Elas realmente estavam me deixando confusa ...
O que era tudo aquilo
Aquele sorriso, aquele olhar, aquelas coincidências...
Você era real ali na minha frente
O meu coração pulsava tão rápido
Meus pensamentos perdiam o nexo, ficavam congelados
Tudo perdia a importância ao meu redor
E eu só queria ter você ali ao alcance das minhas mãos...
Como se estivesse a espera da palavra que nos levaria para longe, muito longe dali...

Não era para ser assim...

Não pude evitar você nos meus pensamentos
A brincadeira acabou... Comecei a sonhar com você todos os dias...

                                                                                                                                          Sílvia Freitas




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Surpresas do dia


Existia algo mais refletido ali... Não era uma imagem / miragem.

Eu podia sentir o perfume que o vento trazia...

Você parado me olhando 
Meu corpo estremeceu
Meu coração disparou

O seu sorriso 
Ah, o seu sorriso 

Me fazia dançar com a música 
Dos sinos que vinham ao longe...
Eu disse sinos?!


                                     Sílvia Freitas


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Desejo


Nestes dias
quando tudo parece silenciar
ouço uma voz me chamar
arrisco-me de longe
e o desejo de pular toma conta dos meus sentidos
fecho os olhos e espero não despertar
deste amor que teima em me arrastar...

                                                                                 Sílvia Freitas


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ocaso


Novamente um novo poente começa a surgir
Ele já traz o nome do cansaço
Um princípio com fim determinado
Nada mais poderá ser sentido
As palavras serão levadas ao vento
Pois já aprendi a caminhar nas tempestades.

Que venha o dia
Que o sol brinque na minha pele
E que o azul do céu encha o meu coração de sonhos.

Aprendi a deixar o perfume nos espinhos
Porque sei que a força do vento levará o que restou de mim.


                                                                             Sílvia Freitas