segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sensações

Eu me perdi, perdi você
Perdi a voz , o seu querer
Agora sou somente um
Longe de nós um ser comum
Agora sou um vento só, a escuridão.
Eu virei pó, fotografia,
Sou lembrança do passado
Agora sou a prova viva
De que nada nessa vida
É pra sempre até que prove o contrário...

                                                                                                             Paula Fernandes

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Rifa-se um coração


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.

 
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconsequente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas...
...Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo...

... Rifa-se um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções...

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconsequente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

 
Nota: este texto é algumas vezes atribuido erroneamente a Clarice Lispector, segundo Ricardo Labatt. Ah, também exclui alguns versos...


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sonhando acordada


De repente me vejo sonhando acordada
O vento invadindo meus pensamentos e por um momento paro de pensar
Nos seus olhos, no seu sorriso, em você ...

Ah este mar que me hipnotiza e me carrega para longe
Das amarras, do medo, do desejo reprimido.
Me dispo das minhas verdades, das minhas inseguranças
E deixo-me levar no suave balanço da minha alegria...

E vou em busca da liberdade de voar
Para onde o sonho me espera...

                                                                                                              Sílvia Freitas

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Em silêncio


E porque éramos tão diferentes
O verbo amar passou a ficar no intransitivo
Então eu passava ao seu lado em silêncio
E sentia que você também passava quieto perto de mim
Havia uma cumplicidade imensa que nos permitia sonhar...

                                                 Sílvia Freitas


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Esse amor...



Que emoção é esta que se faz infinita,
que me arrasta e me afoga nessas lembranças...

Que sonho é este que teima em se repetir nas minhas noites,
que queima o meu corpo e me faz voar...

Que sensação de vazio é esta que me sufoca,
que nada preenche, que nada substitui...

Que amor é este que invade meus pensamentos,
que não me deixa ficar em paz...

                                                                              Sílvia Freitas

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A janela

A janela está aberta
Vejo paisagens que ainda não me dizem nada,
que me deixam mais confusa...

Ah! No entanto são tão múltiplas, tão codificadas, tão indecifráveis
tão distantes dos sentidos, do sentir...
Mas sei que ela está sedutoramente aberta a espera
e quando percebo lá estão elas as imagens antes sonhadas
antes embaladas em um breve sonhar...


Então, onde estão as andorinhas
as gaivotas...
onde o céu...
onde meu Sol...?
   Sílvia Freitas

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Meu Coração


Quando chegas, chegas trazendo música no teu nome
As tuas certezas me confundem com minhas possibilidades
Não sei se tu és ou em mim ressoas como um canto perdido

Meu coração pulsa ao ouvir teus passos e sei que vens
Com um punhado de sementes
Meu chão é germinal e tenho guardado girassóis
Incansavelmente busco o sol...

Tenho em mim algumas definições
Marcas que estão impregnadas na minha alma
De um vir-a-ser-sempre
Sou feita de urgências
"Ser feliz me consome muito."

Silvia Freitas